Hashes criptográficos em provas digitais de celulares: o que são e por que importam

Quando o assunto é prova digital, uma palavra aparece o tempo todo: hash.
Ele aparece em laudos, pareceres, relatórios técnicos – mas, na prática, muita gente ainda não consegue explicar com clareza o que é, para que serve e como usar isso a favor da prova.
Se a sua prova digital depende de arquivos de celular e não tem hash, ela está sempre um passo mais perto de ser questionada.
Neste post, vamos explicar de forma direta:
- o que é um hash criptográfico
- o que ele prova (e o que ele não prova)
- como ele se aplica a evidências vindas de celulares
- erros comuns no uso de hashes
- como a HashSign automatiza esse processo na coleta técnica em celulares
1. O que é um hash criptográfico?
Um hash criptográfico é o resultado da aplicação de uma função matemática sobre um arquivo (imagem, vídeo, documento, áudio, etc.).
Essa função gera um código único, geralmente representado como uma sequência de números e letras.
É comum ouvir exemplos como SHA-256, SHA-1, MD5 – todos são algoritmos de hash.
Uma forma simples de pensar:
O hash é como uma “impressão digital” do arquivo.
Se você mudar qualquer coisa no arquivo (um pixel em uma imagem, um caractere em um texto, um segundo em um vídeo), o hash muda completamente.
Isso permite responder, de maneira objetiva, à pergunta:
“Este arquivo é exatamente o mesmo que foi coletado lá atrás?”
2. O que o hash prova – e o que ele não prova
Muita gente usa o termo “hash” como se ele fosse uma prova absoluta de tudo. Não é. Vamos separar:
2.1. O que o hash consegue provar
- Integridade do arquivo
Se o hash calculado no momento da coleta é igual ao hash calculado no momento da análise ou da apresentação em juízo, você consegue demonstrar que o arquivo não foi alterado. - Identidade técnica do arquivo
Dois arquivos com o mesmo hash (no mesmo algoritmo) podem ser tratados, para fins práticos, como o mesmo arquivo. - Confiança na cadeia de custódia digital
Se o hash acompanha a evidência desde o início, qualquer alteração posterior tende a ser detectada.
2.2. O que o hash não prova
- Quem é o autor do conteúdo
- Em que contexto as mensagens foram trocadas
- Se houve manipulação dentro do aplicativo antes da coleta
- Se a captura respeitou todos os requisitos legais do caso
O hash garante que o arquivo não mudou; ele não resolve, sozinho, todos os debates de autoria, contexto ou legalidade.
Por isso, ele precisa vir acompanhado de procedimento, documentação e cadeia de custódia bem feitos.
3. Hashes em provas digitais de celulares
Quando falamos de celulares, geralmente estamos lidando com:
- imagens de tela (prints ou capturas mais técnicas)
- vídeos da tela
- fotos, áudios e outros arquivos gerados a partir do uso normal do aparelho
Sem hash, qualquer contestação vira um jogo de palavra:
“Mas essa imagem pode ter sido editada.”
“Esse vídeo pode ter sido cortado.”
“Esse print pode não ser o original.”
Com hash, a conversa muda de patamar:
- Você consegue mostrar quando o hash foi gerado (no contexto da coleta).
- Pode recalcular o hash do arquivo apresentado no processo e comparar com o valor registrado na coleta.
- Se os valores batem, você demonstra que aquele arquivo é o mesmo.
Em processos envolvendo celulares, o hash é a linha que separa “print solto” de “arquivo com integridade comprovável”.
Isso vale tanto para órgãos públicos quanto para escritórios de advocacia, empresas (jurídico, compliance, investigações corporativas, auditoria interna) e pessoas comuns que precisam produzir prova com mais segurança.
4. Erros mais comuns no uso de hashes em provas digitais
Mesmo quem já ouviu falar em hash comete alguns deslizes que enfraquecem a prova:
4.1. Calcular hash, mas não registrar nada
- Calcula-se o hash em alguma ferramenta…
- Mas o valor não vai para lugar nenhum:
- não entra em relatório,
- não é vinculado claramente ao arquivo,
- não aparece data, hora, nem contexto.
Na prática, é quase como se o hash nunca tivesse existido.
4.2. Perder o arquivo original
- Gera-se um hash do arquivo original.
- Em seguida, alguém recorta, borra, apaga trechos e só guarda a versão editada.
- O hash registrado já não corresponde ao único arquivo disponível.
Nesse cenário, a prova volta a ficar vulnerável.
4.3. Não indicar qual algoritmo foi usado
Um hash sem indicação do algoritmo (MD5? SHA-1? SHA-256?) gera confusão:
- Não é possível reproduzir o cálculo com segurança;
- Fica mais difícil auditar o procedimento;
- A prova perde clareza técnica.
4.4. Misturar arquivos e hashes sem organização
Outro erro comum: apresentar uma tabela de hashes sem deixar claro:
- a qual evidência cada hash pertence;
- qual é o nome do arquivo, caminho ou identificador interno;
- em qual contexto aquela evidência foi coletada.
Hash sem organização é quase tão ruim quanto não ter hash: tecnicamente existe, mas é difícil de explicar e de confiar.
5. Como usar hashes na prática em coletas de celulares
Um fluxo minimamente sólido, pensando em provas vindas de celulares, deveria seguir algo nesta linha:
- Coletar as evidências
- capturar imagens e/ou vídeos de tela;
- manter os arquivos originais intocados.
- Gerar hashes para cada arquivo
- usando um algoritmo reconhecido (por exemplo, SHA-256);
- garantindo que cada arquivo tenha um valor de hash associado.
- Vincular hash + arquivo + contexto
- deixar claro, em algum tipo de relatório ou registro técnico:
- o nome do arquivo;
- o hash correspondente;
- data e hora da coleta;
- identificação do aparelho;
- quem realizou a coleta.
- deixar claro, em algum tipo de relatório ou registro técnico:
- Preservar o pacote de evidências
- manter um conjunto organizado (por exemplo, uma pasta ou um único .zip) com:
- arquivos originais;
- relatório com hashes e metadados.
- manter um conjunto organizado (por exemplo, uma pasta ou um único .zip) com:
- Recalcular hashes quando necessário
- sempre que for apresentar o arquivo em outro contexto (laudo, audiência, parecer), é possível recalcular o hash e comprovar que o arquivo continua igual ao original.
Ferramentas especializadas ajudam a automatizar essa rotina para não depender de lembrança, comandos técnicos ou várias etapas manuais.
6. O papel da HashSign na geração e uso de hashes
A HashSign foi pensada justamente para esse cenário: coleta técnica de evidências em celulares, com geração automática de hashes e documentação completa.
Na prática, o fluxo funciona assim:
- Durante a coleta guiada, o sistema captura telas, imagens e vídeos exibidos no celular.
- Para cada arquivo coletado, a HashSign:
- registra metadados relevantes da coleta;
- gera um hash criptográfico (por exemplo, SHA-256);
- vincula esse hash à evidência específica.
Ao término da coleta, a HashSign entrega dois elementos principais:
- Um arquivo .zip com todos os arquivos originais coletados
- nada de versões editadas ou recompressões;
- é esse pacote que poderá ser preservado como fonte técnica da prova.
- Um relatório técnico de extração em PDF e HTML, contendo:
- identificação do aparelho dentro do escopo da coleta;
- lista de todas as evidências coletadas;
- hash de cada arquivo;
- assinaturas digitais;
- registro das principais informações da cadeia de custódia (quem coletou, quando, em qual contexto).
Em vez de mandar alguém “lembrar de calcular o hash depois”, a HashSign transforma isso em parte natural do fluxo de coleta.
O resultado é uma prova digital que:
- nasce com hash;
- nasce com relatório técnico;
- nasce com uma história clara para ser contada em laudo, petição, audiência ou investigação interna.
7. Para quem os hashes fazem diferença na prática
Embora pareça um tema “de perito”, hashes são relevantes para vários perfis:
- Órgãos públicos que trabalham com provas digitais
Ganham em credibilidade e padronização quando as evidências de celulares vêm com hashes e relatórios técnicos consistentes. - Escritórios de advocacia
Conseguem apresentar provas de mensagens, notificações, comprovantes e registros de aplicativos com muito mais segurança técnica e argumentos para defender a integridade do material. - Departamentos jurídicos, áreas de compliance, investigações corporativas e auditoria interna
Podem documentar conflitos, denúncias, fraudes e incidentes envolvendo celulares de forma tecnicamente defendível. - Pessoas comuns que precisam produzir provas para investigações ou processos judiciais
Ao usar soluções que geram hashes e relatórios técnicos, reduzem o risco de ver suas evidências descartadas como “prints frágeis” ou “arquivos suspeitos”.
Em todos esses cenários, o hash é uma camada adicional de proteção: protege a prova contra alterações e protege você contra alegações de manipulação.
8. Perguntas frequentes sobre hashes em provas digitais
O que é um hash criptográfico?
É um código gerado por uma função matemática aplicada a um arquivo. Pequenas alterações no arquivo geram um hash completamente diferente. Ele funciona como uma “impressão digital” do arquivo.
Qual algoritmo de hash devo usar?
Depende da política da instituição, mas hoje é comum o uso de algoritmos como SHA-256. O importante é registrar qual algoritmo foi usado e mantê-lo consistente ao longo do caso.
Ter hash é obrigatório para a prova digital ser válida?
Nem sempre há uma obrigação formal, mas a ausência de hash enfraquece muito a prova, porque dificulta demonstrar que o arquivo apresentado é exatamente o mesmo que foi coletado.
Hash prova quem escreveu a mensagem ou quem fez o pagamento?
Não. O hash prova que o arquivo não mudou. Questões de autoria, contexto e responsabilidade dependem de outros elementos: depoimentos, registros do sistema, perícias adicionais, etc.
Como a HashSign usa hashes na prática?
A HashSign gera automaticamente hashes para cada evidência coletada do celular, inclui esses valores em um relatório técnico de extração (PDF/HTML) e entrega um .zip com todos os arquivos originais, permitindo que órgãos públicos, escritórios de advocacia, empresas e pessoas comuns consigam comprovar a integridade das suas provas digitais de forma simples e estruturada.